A ÉTICA COMO ELEMENTO DE HARMONIA SOCIAL EM SANTO AGOSTINHO

 “Da cidade dos homens à cidade de Deus” 

                              A ÉTICA COMO ELEMENTO DE HARMONIA SOCIAL EM SANTO AGOSTINHO                                        

 

a)     De onde partir? Constatação da problemática social

 

Vivemos atualmente numa sociedade carente de sentido e de horizontes, por isso sofremos as conseqüências mais terríveis nas mais diversas dimensões da vida humana. Os contrastes agudos entre as idéias e promessas e a realidade efetiva são cada vez mais facilmente percebidos, enquanto se sonhava com um mundo em paz, agrava-se o ódio e a violência nos mais diversos níveis. Ocorre, não obstante todo o inédito avanço científico, a crescente consciência de um incisivo desconforto, de proporções desmedidas, latente que atinge toda civilização.

Questões fundamentais que caracterizam o percurso da existência humana foram deixadas de lado, tais como: Quem sou eu? De onde venho e para onde vou? Por que existe o mal? O que é que existirá depois desta vida? Por falta de um referencial maior percebe-se, hoje, a dissolução do indivíduo, da família e da sociedade.

Essa falta de sentido, deduz-se que proceda de um tipo de sociedade que criamos, que eliminou os princípios e os fins absolutos; tudo ficou reduzido ao conhecimento empírico, testável, deixando de lado pontos referenciais necessários à conduta humana. Em Agostinho, talvez seja esta a questão principal para se discutir, hoje, o porquê dessa dissolução ética.[2] A dissolução ética em última instância nos remete para o problema da dissolução ontológica, pois a maneira como expressamos a realidade depende do que conhecemos e acreditamos. Mas a questão que o pensamento ético de Agostinho nos remete é: O que conhecemos? No que acreditamos? Onde está nossa segurança? No ter? No prazer? No poder? Será que teremos que trilhar penosamente o caminho, para em última instância voltar para Deus? Haverá ainda tempo de uma regeneração individual e coletiva?

 

b)     Como fazer?

 

Através das obras de Santo Agostinho compreender seu pensamento ético (valores, fundamentos), já que a ética trata do agir do ser humano, isto é, do conjunto normativo, princípios, comportamentos e costumes estabelecidos e legitimados pela sociedade. Neste sentido, compreender o pensamento ético de Santo Agostinho será muito válido para poder visualizar um caminho possível para a recuperação de certos aspectos do ser humano, pois “o modo de agir segue sempre o modo de ser” (Aristóteles/Tomás de Aquino).

 

 

c)     Para quê?

 

Primeiro: trabalhar o tema da ética como elemento de harmonia social em Santo Agostinho, tem como objetivo buscar uma direção mais segura para o ser humano que constantemente é bombardeado por agentes externos que provocam inquietações, desajustes estruturais e conflitos sociais.

Segundo: para uma existência coletiva de paz, mais feliz e realizadora. Em Agostinho a macro mudança ocorrerá a partir da micro mudança, isto é, do interior do homem: “Grande és Senhor, (...) fizeste-nos para ti, e inquieto[3] está o nosso coração, enquanto não repousa em ti”.[4]

Quando Agostinho faz a experiência[5] de Deus ele mesmo se questiona: “Todavia, onde é que te encontrei, para poder conhecer-te?” E ele mesmo responde:

 

Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova! Tarde demais eu te amei! Eis que habitavas dentro de mim e eu te procurava do lado de fora! Eu, disforme, lançava-me sobre as belas formas das tuas criaturas. Estavas comigo, mas eu não estava contigo. Retinham-me longe de ti as tuas criaturas, que não existiriam se em ti não existissem. Tu me chamaste, e teu grito rompeu a minha surdez. Fulguraste e brilhaste e tua luz afugentou a minha cegueira. Espargiste tua fragrância e, respirando-a, suspirei por ti. Eu te saboreei, e agora tenho fome e sede de ti. Tu me tocaste, e agora estou ardendo no desejo de tua paz. [6]

 

 

 

1. SANTO AGOSTINHO: VIDA, CONTEXTO HISTÓRICO E OBRAS

 

Num primeiro momento, abordamos os caminhos da vida de Santo Agostinho, por meio de suas obras, de maneira especial As Confissões[7], e nele, o “Homem Agostinho” identifica-se o gênero humano, isto é, o homem enquanto humanidade, em qualquer tempo e contexto. Quando se descreve a vida de Santo Agostinho, não se pensa numa história singular, de uma vida de inquietudes, angústias, dúvidas, erros e acertos, mas sim em cada um de nós, de nossas ansiedades e inquietudes, de nossas lutas e contradições interiores, de nossas dores e alegrias. Percebemos que apesar das conquistas alcançadas ao longo da história, por meio dos avanços nas mais variadas áreas do conhecimento, o homem continua inquieto, angustiado e carente de felicidade.

Agostinho não se contentou em levar uma vida medíocre, não se conformou com os relativismos éticos que o dissolviam numa vida sem sentido, buscou, acreditou e encontrou o horizonte, a paz a segurança, enfim o Ser-Deus, que tanto procurava.

Santo Agostinho, depois de levar uma vida dissoluta, passar por violenta crise espiritual e ao se converter à religião cristã, acabou por dar valiosíssima contribuição à filosofia, ou seja, a fusão do cristianismo[8] e do neoplatonismo.[9] Isso não só proporcionou uma sólida fundamentação intelectual ao cristianismo, como o vinculou à tradição filosófica grega.

Toda filosofia agostiniana é uma resposta as grandes preocupações vividas pelo homem Agostinho (a vida de Agostinho resume, de forma precisa, a vida de todos os homens de qualquer tempo e espaço – o homem enquanto humanidade); as suas inquietações interiores (preocupação ética e antropologia filosófica) e as grandes questões religioso-político-sociais suscitadas em sua época (filosofia social).

Pode-se dizer que toda a ética filosófica de Santo Agostinho gira em torno do problema da felicidade do homem, e que esta se confunde com o problema do homem Agostinho, o problema de sua dispersão, inquietude e busca da felicidade: “Tornei-me um grande problema para mim mesmo e perguntava à minha alma por que estava tão triste e angustiado, mas não tinha resposta”.[10] O centro de sua especulação filosófica coincide verdadeiramente com sua personalidade. Sua filosofia é uma interpretação de sua vida.

Ao narrar a sua história singular, Agostinho acaba falando da história de cada um de nós, de nossas ansiedades e inquietações de nossas lutas e contradições interiores, de nossas dores e alegrias. “Santo Agostinho é humano como nós; ‘é homem’. E, como nós, conhece a tragédia de viver longe de Deus, a tristeza do pecado, a dor da ausência e a festa do regresso. Seu relato obriga-nos a reler o nosso próprio ser, a dolorosa experiência da difícil arte de viver”.[11]

Tal empreendimento apresenta-se, primeiro, como uma contribuição a todo aquele que deseje conhecer a biografia de Agostinho e, segundo, como forma de contextualizar a temática da ética que é inequivocamente uma ética do amor, mais precisamente caritas, que só depois de uma longa luta interior ele consegue viver e entender.

Todo o esforço intelectual e pastoral de Agostinho foi o de mostrar que a força da razão e da fé é que leva o homem a conhecer mais sobre a totalidade do ser humano. Sendo que os primeiros séculos do cristianismo representam um momento forte da relação fé e razão, principalmente quando os cristãos entraram em contato com o pensamento filosófico grego, período das grandes questões teológicas e momento de desestruturação dos antigos valores que sustentavam a sociedade no Império Romano. Santo Agostinho se destaca neste ambiente e foi o grande baluarte da fundamentação filosófica do cristianismo até a Idade Média.

            Hoje as Confissões de Santo Agostinho estimulam e comovem não só os crentes; também aquele que não tem fé, mas está à procura de uma certeza, que pelo menos lhe permita compreender a si mesmo, as suas aspirações profundas e os seus tormentos. A conversão de Santo Agostinho, dominada pela necessidade de encontrar a verdade, tem muito a ensinar aos homens de hoje, com freqüência, tão desorientados ante o grande problema da vida.[12]

Constatamos, também hoje, que aquela harmonia constante entre fé e razão vivida na Idade Média se vê ameaçada na época moderna que marca um período de progressiva separação entre a fé e a razão, atingindo seu apogeu com o iluminismo e teve como conseqüência a deformação da razão, levando-a a se tornar uma “razão instrumental ao serviço de fins utilitaristas, de prazer e de poder”.[13]

Como resultado desta caminhada histórica do homem, o que se evidencia hoje é que tudo aquilo que sustentava nossa forma de viver está em plena deteriorização no que tange à religião, à economia, ética, sociologia e política; as mudanças são cada vez mais bruscas. Nesta crise de civilização cultural não se fortalece a tradição e cada pessoa se vê chamada a criar um projeto de vida muito particular. Percebe-se, a partir do pensamento de Santo Agostinho, que a tentativa da humanidade em criar uma cultura nova e racional, rejeitando toda e qualquer ligação entre fé e razão e entre Deus e os homens, ou seja, tirar Deus como possibilidade, princípio e fim, gerou uma cultura de morte, sem horizonte e sem sentido.

Neste sentido pode-se dizer que não haverá encontro com a verdade para aquele que se detém apenas nos estreitos limites da razão e despreza a fé como possibilidade de transcendência. A razão, por si só, não alcança a plenitude do mistério.

Agostinho, com o auxílio do pensamento platônico, libertou-se do conceito da vida material obtido do maniqueísmo, mas foi a partir dessa experiência que ele obteve a consciência de que os maiores obstáculos no caminho para a verdade não são de ordem teórica, mas de ordem prática, isto é, de ordem moral:

“Admirava-me de agora amar a ti, e não a um fantasma em teu lugar. Mas, ao mesmo tempo, eu não era estável no gozo do meu Deus. Atraído por tua beleza, era logo afastado de ti por meu próprio peso, que me fazia precipitar gemendo por terra. Esse peso eram os meus hábitos”.[14]

Compreendeu, então, que uma coisa é conhecer a meta e outra alcançá-la, deduz assim que o homem não pode salvar-se a si mesmo, tão pouco no âmbito intelectual: tem que começar pela fé na autoridade da Palavra de Deus, para que a inteligência, liberta dos erros, assim como o coração do orgulho e da soberba, possa logo exercitar sua razão no caminho da verdade revelada. Foi, então, nas cartas de Paulo que ele descobriu Cristo Mestre, como sempre o tinha venerado, mas também Cristo Redentor, Verbo encarnado, único Mediador entre Deus e os homens. Agora em diante Agostinho vê o esplendor da filosofia, era a filosofia do Apóstolo Paulo que tem como centro Cristo, poder e sabedoria de Deus, e que tem outros centros: a fé, a humildade, a graça; a filosofia que ao mesmo tempo é sabedoria e graça, pela qual se torna possível não só conhecer a pátria, mas também alcançá-la.[15]

 

 

 

 

 

2. PRINCÍPIOS DA ÉTICA AGOSTINIANA

 

A ética agostiniana, sem equívoco, é uma ética do amor, mais precisamente caritas.[16]

Para Santo Agostinho, o amor está na própria natureza humana. Trata-se de um apetite natural, pressuposto pela vontade livre, que deve, iluminada pela luz natural da razão, orientá-lo para Deus. O amor é, pois, uma atividade decorrente do próprio ser humano. O amor, neste sentido, é uma espécie de desejo. O desejo é uma tendência que inquieta o homem, fazendo-o querer possuir tudo aquilo que é distinto dele mesmo, tendo como fim último torná-lo feliz.

Todo homem ama; o amor é intrínseco a natureza humana. Não se pode separar o homem do amor. Para Agostinho o amor é a essência e o motor da vida humana, não amar significa não viver, ser infeliz e contê-lo é o mesmo que viver precariamente ou morrer. Para ele, na verdade, o coração vive inquieto não porque amamos, mas porque amamos desordenadamente. Portanto, não será limitando o nosso amor que encontraremos a paz, mas sim o ordenando: “As coisas que não estão no próprio lugar agitam-se, mas quando o encontram, ordenam-se e repousam”.[17]

Questão: não é se o homem ama ou não, mas o que ama? Virtude: é a reta ordem do amor, reta escolha das coisas amadas – Primazia de Deus.

Para Agostinho a noção de perfeição moral consiste na identificação da vontade com a reta ordem da natureza. Deus em seu ato criador não só dá a existência a todas as criaturas, mas dota-lhes também de uma lei interna e natural que rege em harmonia com a sua própria lei eterna.[18] Além disso, neste mesmo ato, aquele que é o Ser e o Bem supremo comunica às criaturas seu ser e sua bondade; portanto, estas são ontologicamente boas, não por si mesmas, mas por uma participação na suprema bondade do seu criador. Portanto, fica evidente que a ordem ontológica é o fundamento da ordem ética pois, embora as leis que regem as duas ordens tenham a sua origem no mesmo Deus criador, a moralidade diz respeito à manutenção ou perturbação da ordem natural. Logo, enquanto a ordem ontológica aplica-se a todas as criaturas, a ordem ética é específica do homem, uma vez que só ele tem o poder de respeitar ou transgredir a lei natural e eterna.

A moral agostiniana fundamenta-se numa “moral da felicidade” enquanto um bem a ser buscado por si mesmo. Entretanto Agostinho reconhece que o homem é um ser existencial que vive numa realidade temporal, na qual, quer queira ou não, precisa dos bens temporais para sobreviver. Daí que, sendo a preocupação primeira do homem a busca da verdadeira felicidade, este precisa usar os bens temporais de tal forma que o levem a alcançar os bens eternos. Surge assim o segundo aspecto da moral agostiniana, que é a “moral do dever”.[19]

Assim o homem amará ordenadamente se, julgando e apreciando todas as coisas com justiça,[20] submeter os bens exteriores ao corpo, este, por sua vez, à alma, em seguida, na própria alma subordinar os sentidos à razão e esta a Deus: “Por conseguinte, quando a razão domina esses impulsos da alma, deve dizer-se que o homem está conformado segundo a norma da ordem”.[21]

Para Agostinho o fim da moralidade é a reta manutenção da ordem, que se identifica com a vontade divina, ao passo que o mal, desordem, consiste na transgressão culposa desta ordem.[22] A ordem do amor é a perfeita justiça: Essa é a perfeita justiça - a que nos leva a amar mais o que vale mais, e amar menos o que vale menos”.[23]

Mas, para que o homem seja realmente feliz, é necessário que, através da virtude, ele ordene o seu amor-desejo em relação a todas as coisas e o oriente para Deus, único capaz de satisfazê-lo plenamente. Nesta condição se deduz que, tendo-se no fundo do coração a raiz do amor, dessa raiz não pode sair senão o bem, como expressa a máxima agostiniana: “Ama e faze o que quiseres”.[24] O amor, assim compreendido, é a força maior da moralidade, é a medida e o peso da vontade humana.

            No pensamento de Agostinho o amor é intrínseco ao ser do homem do qual não podemos separá-lo. E, se há um problema, este não diz respeito ao amor como tal, nem à necessidade de amar, mas unicamente à escolha do objeto a ser amado, ao valor ou intensidade que se dá ao objeto amado, pois em si ele é um bem. O problema da liberdade é, portanto, o da reta escolha das coisas amadas, da intensidade ou medida em que se amam as coisas, isto é, da reta ordem do amor.

Vive justa e santamente quem é perfeito avaliador das coisas. E quem as estima exatamente mantém amor ordenado. Dessa maneira, não ama o que não é digno de amor, nem deixa de amar o que merece ser amado. Nem dá primazia no amor àquilo que deve ser menos amado, nem ama com igual intensidade o que se deve amar menos ou mais, nem ama menos ou mais o que convém amar de forma idêntica.[25]

 

            Dentro do princípio da ordem dos seres, o amor é o parâmetro na hierarquia de valores das coisas a serem amadas. “O amor, que faz com que a gente ame bem o que deve amar, deve ser amado também com ordem; assim, existirá em nós a virtude, que traz consigo o viver bem. Por isso, parece-me ser a seguinte a definição mais acertada e curta de virtude: A virtude é a ordem do amor”.[26] Nesta hierarquia das coisas a serem amadas, Deus aparece em primeiro lugar: a Ele deve-se amar com todo amor, aí reside o verdadeiro amor, que faz do homem um ser reto livre e feliz. Para Agostinho a força maior da moral interior é o amor, expresso no duplo preceito da caridade: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”.[27]

Agostinho, em: o livre Arbítrio e também em a Cidade de Deus, chega a conclusão que o problema não está nas coisas temporais, que em si são boas, uma vez que foram criadas por Deus, mas no mau uso dessas coisas pelo homem. O problema está no homem que, por um ato de liberdade, resolve inverter a ordem estabelecida por Deus, preferindo amar antes as coisas criadas, inclusive a si próprio, do que ao Criador, a isto Agostinho chama de má vontade, soberba ou pecado.[28]

Manfredo Ramos nos chama a atenção para o fato de Agostinho orientar toda sua moral para a busca da felicidade enquanto Bem ontológico, a ser alcançado na vida eterna, dando, assim, um caráter teleológico à sua moral. Para ele, essa é uma característica genuína da moral agostiniana, que nos permite diferenciá-la da dos antigos filósofos, pois, como na antiguidade não se tinha uma convicção clara de vida eterna, a moral dos antigos não tinha este caráter teleológico.[29]

Para Agostinho, o homem virtuoso ama a Deus não pelo simples cumprimento de um dever, mas porque O deseja. Porém, mesmo vivendo a ordem do amor e experimentando toda paz e alegria que esta lhe proporciona, ele ainda não é completamente feliz. Pois, se deseja Deus, como pode ser feliz, se ainda deseja? “Não é feliz, senão aquele que possui tudo o que quer...”.[30]Também: “Não é feliz aquele que não tem o que deseja”.[31] Entretanto, desde então, este homem já é feliz: Feliz o que Vos ama...”[32], porque ama, acima de todas as coisas, o Único que pode, realmente, conduzi-lo à plena felicidade.

Quanto à felicidade da vida presente Agostinho afirma: “Segue o mesmo caminho que a salvação, o da esperança. E como a salvação não a temos já, mas a esperamos futura, assim se passa com a felicidade”.[33]

Mas uma das grandes novidades da ética de Agostinho é, exatamente, a idéia de que a felicidade perfeita é atingível; porém, não devemos entendê-lo, como fizeram os gregos, enquanto uma conquista exclusivamente humana.[34] Na verdade, para que alcancemos, faz-se necessário que o próprio Deus seja nosso aliado nesta busca; de modo que possamos contar com sua ajuda, ou melhor, com a sua graça: “A graça, mediante a qual, unindo-se a Ele, somos felizes”.[35]A felicidade é um dom de Deus.[36] E, mesmo que se diga que ela é um dom merecido, uma vez que é dada em resposta ao esforço de busca do homem, ela é sempre um dom. É o próprio Deus que, fazendo-se Ele mesmo dom, quer doar-se inteiramente a nós para saciar completamente o nosso ser. Feita a experiência da fruição de Deus permanecerá para sempre: “E como ninguém pode lhe arrebatar, nem a sua virtude nem o seu Deus, tampouco pode lhe ser tirada a felicidade”.[37] Somente a união com Deus nos assegura a nossa fruição Dele e a nossa imortalidade, condições para sermos plenamente felizes. Nossa união com Deus se dá através da caridade, então podemos concluir que é somente a caridade que nos garante a verdadeira felicidade. A caridade, além de nos fazer felizes já nesta vida, é também a garantia de que ainda maior será a felicidade na vida futura. Embora ainda não saibamos como será esta vida bem-aventurada que nos espera, já temos convicção de que, por mais feliz que possamos imaginá-la, a sua realidade supera todas as nossas expectativas:

 

Pois naquela felicidade, nada desejará que lhe falte e não faltará nada do que desejar. Tudo o que amar estará lá presente e não desejará nada que esteja ausente. Tudo o que ali estará para o gozo de todos os que o amam. E eis o que será o maior grau de felicidade: estará certo de que será assim por toda a eternidade. [38]

 

Portanto, a caridade surge agora como a virtude primeira e o fundamento de toda a vida ética. Para ele a caridade é a essência da ética e se somarmos a estas conclusões o fato de que o homem é um ser social e se ele ama a Deus deve também amar os outros poderemos desenvolver, assim, a dimensão ética e social do amor.

 

 

 

3. A DIMENSÃO ÉTICA E SOCIAL DO AMOR

 

Assim como o amor (caridade) é a fonte da moral interior individual, tendo como meta a busca da felicidade do homem, da mesma forma acontece na vida social. A caridade gera a concórdia que num plano social é a base de uma sociedade justa. Portanto, Agostinho faz da ordem social um prolongamento da ordem moral interior, onde a organização dos homens em sociedade (Estado), fundamentada no amor, não tem outra finalidade senão garantir a paz temporal ou a felicidade temporal dos homens, com vista à paz eterna ou verdadeira felicidade a ser alcançada em Deus.

O amor é o sinal distintivo dos cidadãos da Cidade Celeste e o fundamento da moral tanto individual como da sociedade humana e tem por meta a busca da felicidade do homem:

 

Dois amores fundaram, pois, duas cidades, a saber: o amor próprio, levado ao desprezo a Deus, a terrena; o amor a Deus, levado ao desprezo de si próprio, a celestial. Gloria-se a primeira em si mesma e a segunda em Deus, porque aquela busca a glória dos homens e tem esta por máxima glória de Deus, testemunha de sua consciência.[39]

 

Para Agostinho, cabe aos seres humanos, a livre escolha de construir ou não um mundo mais justo e solidário. Mas esta escolha deve ser a partir de dentro, do íntimo de cada pessoa. O pensamento cristão insiste na interiorização da moralidade e especificamente em Santo Agostinho, de tal modo que os valores cívicos não servem mais como referência fundamental para nossa existência.[40]

Sendo uma exigência da natureza racional do homem viver em sociedade, então para serem felizes eles devem amar-se mutuamente e querer uns para os outros o mesmo bem que desejam para si próprios. Quando isso não for possível por amor recíproco, ao menos seja em razão da natureza comum que une todos os homens entre si.[41]

Reconhecendo a sua natureza social, o homem tem se utilizado da razão para estabelecer normas de vida que o conduzam à felicidade.[42] Ele tem procurado uma conduta, que ordene todas as partes do seu ser e lhe traga a paz interior.[43] Esta procura tem sido não apenas para criar uma moral individual, mas também para produzir uma ética que seja capaz de gerar a ordem e a paz entre os homens: “paz dos homens entre si e sua ordenada concórdia”.[44]

A caridade é a perfeição do amor, pela qual o homem se entrega totalmente a Deus, mas Deus nada pede para si mesmo, já que não há nada que possamos lhe oferecer que O favoreça: “Não penses que dás algo a Deus. Deus não precisa de servos, mas são os servos que precisam de Deus”.[45] Deus é Sumo Bem que de nenhum bem precisa e tudo o que Ele exige do homem é em vista de seu bem; ao contrário tudo o que o homem oferece a Deus se reverte em benefício próprio,[46] pois, “Deus é aquele que quer ser amado não para obter para si alguma vantagem, mas para conceder aos que o amam uma recompensa eterna”.[47]

Como Deus nada quer para si, Agostinho nos diz que Deus quer que amemos aqueles que Ele ama: nós e nossos semelhantes: “A Deus nós o amamos por ele mesmo, e a nós mesmos e ao próximo por amor a ele”.[48] Esta é uma questão fundamental, porque da Sua compreensão depende o entendimento de toda a ética de Agostinho. Quanto a nós, já nos amamos naturalmente,[49] resta-nos, pois, que amemos nossos irmãos por amor a Deus e nisso está a perfeição da caridade. Ele, também relaciona quatro tipos específicos de pessoas ou de próximos aos quais devemos expressar nosso amor-caridade: os parentes, os amigos, os pobres e os inimigos. “Todo homem deve ser amado por causa de Deus”.[50] Portanto, o amor é perfeito quando chega ao nível da caridade fraterna[51].

Mesmo com todo esforço de ordenar sua vontade a fim de amar os outros com perfeita caridade, o homem, por suas próprias forças não conseguirá, precisará pedir a ajuda da graça divina: “Rogai a Deus a graça de vos amar uns aos outros”.[52] Esse jeito de amar, mais do que uma virtude, é o maior dom de Deus e sem a caridade nenhum outro dom de Deus nos leva até Ele.[53] Este dom é o único e verdadeiramente necessário que o homem deve buscar antes de qualquer outra coisa. “A caridade é a própria essência de Deus”.[54] Portanto, a caridade fraterna é o próprio Deus amando, em nós e através de nós, a todos os homens, ela é uma realidade tão interior quanto ao próprio Deus.

Quanto ao modo de viver a caridade, além de nos indicar o segundo mandamento: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”,[55] ele nos diz: “Eis a regra da dileção: querer também para o outro o bem que se quer para si. E não querer para ele, o mal que não se quer para si mesmo. E isso serve para todos os homens”.[56] Neste sentido, devemos buscar para os outros todo bem que procuramos para nós mesmos; isto quer dizer que nenhum bem adquirido deveria ser possuído individualmente, ou melhor, todos os bens deveriam ser socializados. Entendido desta forma, o simples cumprimento deste segundo mandamento já seria mais do que suficiente para tornar justa e igualitária qualquer sociedade humana.

 

 

a)     Amar o Próximo – os Parentes

 

Embora devamos amar e fazer o bem a todos igualmente, em caso de nos depararmos com duas pessoas necessitadas, uma sendo estranha e a outra um parente, sendo que nossos recursos nos permitam atender a apenas uma delas, é nosso dever socorrer, primeiramente, ao nosso parente. Em casos como estes, deve-se aceitar a proximidade de parentesco como se fosse algo determinado pela sorte.

 

Todos devem ser amados de forma igual. No entanto, já que não podemos ser úteis a todos indistintamente, devemos atender de modo especial aos que estão mais ligados pelas circunstâncias concretas de tempo e de lugar, ou por quaisquer outras, de ordem diferente. Isso por assim dizer, como se fosse por sorteio. Deves considerar como determinado pela sorte o grau de proximidade que, por razão de circunstâncias temporais, te ligou a cada um deles, de modo mais estreito.[57]

 

Agostinho ressalta que o amor aos nossos parentes não deve se basear apenas na afeição natural própria dos laços consangüíneos, pois, esta não é suficiente para mantê-lo por muito tempo; prova disso é a situação de instabilidade em que se encontram nossas famílias. Assim, se quisermos que realmente a estabilidade e a paz reinem nelas, é necessário que amemos os nossos familiares com um amor que esteja acima dos vínculos carnais. Portanto, além deste amor natural, devemos amá-los em Deus, porque a união que nasce da “caridade é superior a todas as outras”.[58] Assim, alcançaremos a tão sonhada harmonia familiar, que Agostinho chama de “a paz doméstica”,[59] somente quando amarmos os nossos parentes com verdadeira caridade.

 

 

b)     Amar o Próximo – os Amigos

 

Para Agostinho, também, os amigos devem ser amados com caridade. Os amigos são aqueles que estamos ligados, não necessariamente por laços consangüíneos, mas por afeição. Porém, não basta somente os vínculos afetivos para manter uma verdadeira amizade, pois esta se manteria somente enquanto durarem as atenções, as ajudas e as gratidões mútuas. Na ausência destes elementos a amizade tenderia a se enfraquecer e correria o risco de desaparecer. Portanto a caridade deve ser o fundamento consistente na amizade para que ela permaneça inabalável e faça os amigos felizes.

Quando a amizade tem Deus como fundamento, independente de quaisquer desequilíbrios, ela continuará viva porque cada um procurará antecipar-se em seu amor pelo outro, já que, aquilo que os une, além da afeição própria deste relacionamento, é a mútua caridade.

Os verdadeiros amigos são aqueles que suportam todas as dificuldades próprias da amizade sem se deixarem abater ou perecer, justamente porque a cultivam e a fundamentam no amor de Deus. São justamente estes que necessitamos ou devemos preservar: “Se possuímos tais amigos, é preciso rezar para os conservar. Se, porém não os possuímos, é preciso orar para os conseguir”.[60]

 

 

c)     Amar o Próximo – os Pobres

 

Para Agostinho, os pobres devem ser amados com caridade. Eles, geralmente, não estão ligados a nós por vínculos naturais e afetivos. Além disso, a própria condição econômica, social, cultural e até física em que se encontram, mais nos afastam do que nos aproximam deles. Portanto, se o nosso amor por eles for movido apenas por interesses deste tipo é sinal que, de fato, jamais os amaremos. Então, só a verdadeira caridade pode nos aproximar dos pobres e nos fazer reconhecer neles o próximo, a quem devemos amar como a nós mesmos.

Agostinho nos adverte quanto ao orgulho e a ostentação que, muitas vezes, aparentemente promovem ações em prol da justiça social e que exteriormente se confundem com as ações da caridade.[61] Devemos distinguir o seguinte: enquanto os que possuem a perfeita caridade buscam realmente a igualdade entre os homens; os que agem por ostentação e orgulho, apesar das aparências, de fato, não desejam esta igualdade, visto que com a chegada dela, desapareceriam as suas oportunidades de autopromoção. Devemos querer que todos os homens nos sejam iguais, pois a busca sincera e ativa desta justiça social é uma das mais profundas expressões da verdadeira caridade.

 

Na verdade, não devemos desejar que haja miseráveis para termos ocasião de realizar obras de misericórdia. Tu dás pão a quem tem fome, mas melhor seria que ninguém passasse fome, que não tivesse ninguém para dar! Vestes o que está nu. Aprouvesse ao céu que todos fossem vestidos e que essa necessidade não se fizesse sentir! Todos esses serviços, com efeito, respondem a necessidades. Suprimi as carências e as obras de misericórdia cessarão. E as obras de misericórdia cessarão, quer dizer que o ardor da caridade cessará? Mais autêntico é o amor que dedicas a pessoa feliz, que não precisa de teus dons (...) Isso porque, prestando serviço a um necessitado, talvez deseje te exaltar diante dele (...) Ele está carente, tu lhe dás parte de teus bens, e porque dás, tu te imaginas superior àquele a quem dás. Deseja, ao contrário, que ele te seja igual! Isso para que ambos estejam sujeitos Aquele a quem nada se pode dar.[62]

 

Portanto, se amamos a Deus devemos nos aproximar dos pobres e não permitir que a mendicância os humilhe ainda mais, devemos devolver o que lhes pertence por direito, isto é, nosso supérfluo. O supérfluo dos ricos é o necessário dos pobres. Possuem bens alheios os que possuem bens supérfluos.

Agostinho, quase no final da obra A Cidade de Deus fala da paz temporal e da paz espiritual e afirma que o homem realiza a sua felicidade só quando há equilíbrio entre estas duas pazes.

 

Por paz temporal ele entende a satisfação das necessidades do homem; por paz espiritual a da alma. Porém, ele acrescenta que não há paz espiritual sem a paz temporal. Com isto quer dizer que o fundamento, a base ou, melhor, a condição da paz espiritual é a paz temporal, isto é, a satisfação das necessidades materiais do homem.[63]

 

 

d)     Amar o Próximo – os Inimigos

 

Agostinho nos diz que a verdadeira caridade nos leva amar os nossos inimigos, pois eles também estão incluídos naquela categoria de próximo, de modo que amá-los é um dever dos que amam a Deus: “Homem algum, de fato, está excluído por aquele que nos disse de amar o próximo”.[64] Somente estendendo o nosso amor até o próximo (inimigos) é que estaremos cumprindo plenamente o preceito da caridade.

 

Estende o teu amor aos que estão próximos, mas, na verdade, ainda não chames a isso estender. Porque é a ti mesmo que amas, quando amas os que te estão estritamente unidos. Estende o teu amor até aos desconhecidos que não te fizeram nenhum mal. E vai mais longe ainda. Chega até amar os teus inimigos. Sem dúvida, é isso o que o Senhor te pede.[65]

 

            Agostinho nos diz que devemos amar os nossos inimigos, não porque nos odeiam, nos fazem mal e nos causam sofrimentos, não por estes motivos[66], mas porque contemplamos neles algo de mais profundo, isto é, o fato de serem imagem e semelhança de Deus. Portanto, os amaremos não para que continuem sendo nossos inimigos, mas para que se tornem nossos irmãos e um dia possamos juntos desfrutar de Deus.[67] Eles são nossos inimigos porque estão distantes de Deus e ainda não O conheceram:

 

Nós não os tememos, na verdade, visto que não podem nos tirar aquele a quem amamos. Mas nós nos compadecemos deles, porque nos odeiam, tanto mais quanto estão distantes do objeto de nosso amor. E se acaso voltassem a ele, necessariamente ama-lo-iam, como o Bem beatificante, e a nós, como co-participantes de tão grande bem.[68]

 

Agostinho insiste em todo tempo que devemos alcançar a perfeição da caridade, não somente pelo nosso esforço humano, mas também, pela ajuda divina, portanto devemos pedir a Deus a graça de amar sempre e a todos: “Rogai a Deus a graça de vos amar uns aos outros. Rogai para estardes sempre abrasados do amor fraterno. Seja para com o que já é vosso irmão, seja para com o inimigo, afim de que se torne vosso irmão”.[69] Para Agostinho só o amor tem o poder de converter um inimigo num irmão: “Teu amor faz um irmão daquele homem que era teu inimigo (...) Ama-o com amor fraterno. Ainda ele não é um irmão, mas já o amas como se o fosse”.[70]

Enfim, para alcançarmos a perfeição da caridade, devemos preparar um espaço interior para ela, esvasiando o nosso coração do amor do mundo e enchendo-o do amor de Deus, assim nascerá em nós a caridade fraterna que deverá ser sempre alimentada nesta perfeição:

           

Há dois amores: o amor do mundo e o amor de Deus. Se o amor do mundo fixar residência em nós, o amor de Deus não poderá entrar. Que se afaste o amor do mundo e tenha morada em nós o amor de Deus. Não ames o mundo! Afasta de teu coração a má dileção do mundo, para o deixar encher-se do amor de Deus. És um vaso, mas ainda estás cheio. Derrama o que está em ti, para receberes o que não está.[71]

 

Agindo assim, nos tornaremos fortes o suficiente para, se necessário for, darmos a nossa própria vida por aqueles a quem amamos.

 

 

e)     Amar o Próximo – os Frutos

 

Para Agostinho, a caridade não gera benefícios apenas para os que são amados, ela também produz frutos maravilhosos na vida e no ser daqueles que amam, pois, se o que está na base de um relacionamento é a perfeita caridade, todos os envolvidos nele se beneficiam: “essa misericórdia, que exercemos para com um homem necessitado, Deus não a deixa sem recompensa”.[72] Os maiores agraciados não são os que recebem da caridade alheia, mas sim aqueles que, amam com caridade, ou seja, os que partilham, servem e doam-se aos outros, porque, se aceitamos que Deus é caridade, a lógica nos obriga a admitir que quem possui a caridade também possui a Deus.

Quando o homem possui a Deus se torna plenamente livre, a ponto de Agostinho nos dizer: “Ama e faze o que quiseres”.[73] Neste sentido, quando a raiz das ações é a caridade não poderá surgir o mal[74] e sim somente o bem:

 

Não se distingam as ações humanas a não ser pela raiz da caridade. Uma vez por todas, foi-te dado somente um breve mandamento: Ama e faze o que quiseres. Se te calas, cala-te movido pelo amor; se falas em tom alto, fala por amor; se perdoas, perdoa por amor. Tem no fundo do coração a raiz do amor: dessa raiz não pode sair senão o bem!.[75]

 

Quando amamos desta forma, somos realmente livres, porque a nossa vontade já não quer outra coisa senão o bem de todos aqueles que são o nosso próximo.

Para Agostinho, a questão da semelhança do homem com Deus tem dois aspectos. O primeiro, diz respeito ao momento da criação quando Deus faz o homem à sua imagem e semelhança; neste sentido todo homem carrega dentro de si esta imagem divina. Um segundo momento é quando o homem, por sua livre vontade, deve esforçar-se para imitar o modo de amar de Deus; neste último aspecto tornam-se semelhantes a Deus os que O buscam e O amam verdadeiramente. Este segundo momento é, na verdade, uma restauração do primeiro, visto que ao assemelhar-se a Deus pela caridade, o homem não está fazendo outra coisa senão restaurando em si a imagem divina deteriorada pelo egoísmo.

Assim, ao tornar-nos semelhantes a Deus, a caridade nos faz também filhos seus: “A caridade é o único sinal que distingue os filhos de Deus dos filhos do demônio”.[76] Pois, assim como entre os homens é a semelhança física o que caracteriza alguém como filho de outrem; do mesmo modo, o sinal distintivo dos verdadeiros filhos de Deus é, exatamente, a vivência da caridade.

Embora muitos aleguem ser filhos de Deus, somente os que amam com caridade, de fato, o são. Portanto, se quisermos ser realmente felizes, não devemos perder tempo com amores particulares, egoístas e passageiros; ao contrário, amemos, sem reservas, a todos: parentes, amigos, inimigos e, especialmente os pobres deste mundo. Seremos felizes nesta vida e por toda eternidade, se todas as nossas ações forem movidas pelo amor, mas não por qualquer amor, e sim por aquele que chamamos de amor fraterno ou de perfeita caridade.

Pelo amor pode-se chegar a uma atitude ética para com os outros. Este é o primeiro passo para o altruísmo e a fraternidade social, cujo resultado é a harmonia no convívio entre as pessoas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

REFERÊNCIAS

 

Primárias

 

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______ A Cidade de Deus: contra os pagãos. Trad. Oscar Paes Leme. Bragança Paulista: Editora Universitária São Francisco, 2003. 2v. v. I, 414; v. II, 589 p. (Coleção Pensamento Humano).

______ Cartas a Proba e a Juliana: direção espiritual. 2. ed. Trad. e not. Nair de Assis Oliveira, rev. E. Gracindo. São Paulo: Paulus, 1987, 100 p. (Série Espiritualidade).

______ A Trindade. 2. ed. Trad. e int. Agustinho Belmonte; rev. e not. Nair de Assis Oliveira. São Paulo: Paulus, 1994, 726 p. (Coleção Patrística).

______ Confissões. 2. ed. Trad. Maria Luiza Jardim Amarante. São Paulo: Paulus, 1997, 450 p. (Coleção Patrística; 10).

______ O Livre Arbítrio. 3. ed. Trad, org, introd. e not. Nair de Assis Oliveira; rev. Honório Dalbosco. São Paulo: Paulus, 1995, 296 p. (Coleção Patrística).

______ Solilóquios e a Vida Feliz. 2. ed. Solilóquios: Trad. e not. Adaury Fiorótti. A Vida Feliz: Trad. Nair de Assis Oliveira; introd. e not. Roque Frangiotti; rev. H. Dalbosco. São Paulo: Paulus, 1998, 160 p. (Patrística; 11).

___ Oliveira, rev. Honório Dalbosco. São Paulo: Paulus, 2002, 196 p. (Patrística; 19).

______ Comentário aos Salmos. Trad. das Monjas beneditinas. São Paulo: Paulus, 1997. v. 1 – Salmos 1 a 50, v. 2 – Salmos 51 a 100 e v. 3 – Salmos 101 a 150.

 

 

 

 

Secundárias

 

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_____ O problema do mal na polêmica antimaniquéia de Santo Agostinho. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2002. (Tese de Doutorado).

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_____ Escritos de Filosofia IV: Introdução à Ética Filosófica 1. 2. ed. São Paulo: Loyola, 2002, 483 p. (Coleção Filosofia, 47).

VÁZQUEZ, Adolfo Sánchez. Ética. 23. ed. Trad. João Dell’Anna. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002, 302 p.

 



[1] Congresso realizado de 05-09/01/2009 no Centro Pastoral Santa Fé, São Paulo – SP.

[2] Hoje, vive-se uma ditadura do relativismo, há uma ausência de objetividade e uma constante mudança de valores. Pelo excessivo valor que se tem dado nos últimos tempos, à pessoa, suas atividades e sentimentos, tem vindo como conseqüência uma forte dose de subjetivismo e uma perda de objetividade. Se as coisas, as circunstâncias e as opções mudam segundo varia o sentimento da

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