EPISTEMOLOGIA DE AGOSTINHO

 

 Sergyo A.Ribeiro  

 

 

Na epistemologia de Agostinho  Deus e alma  se tornam o ponto central  para o problema da verdade. A preocupação de Agostinho desde o inicio de seus escritos era refutar o  ceticismo a qual afirmavam que todo o conhecimento  tinha sua origem na percepção sensível  e como os sentidos  fornecem  dados  variáveis  não podia  encontrar  bases para a certeza. A superação do ceticismo para Agostinho inicia quando ele conquista uma certeza. Certeza esta da própria existência, a qual ele tira uma verdade superior e imutável. Agostinho estabelece um conhecimento humano; ou seja, ele encontra uma base segura para que a verdade pudesse estar alicerçada. Os recursos a qual ele  utiliza para buscar a verdade podem ser classificados como matemática lógica e a consciência do cogito, semelhante à de Descartes. Descartes têm como objeto o “Pensamento”, Agostinho  a  “Alma”, mas ambos  buscam no interior do sujeito.  Agostinho afirma que apesar de todas as duvidas e incertezas, existe uma verdade que é inquestionável, que é  a existência da dúvida. Através deste cogito ele se depara com a existência do eu que se revela  na evidência imediata da consciência. Agostinho dentro da história e o primeiro a falar  da existência de Deus no próprio sujeito  que dúvida;  abalando assim as bases do ceticismo; e construindo uma epistemologia focada na 1º pessoa, valorizando o eu na filosofia.

 

 Sobre este enunciado Agostinho empenha todos os seus esforços para fundamentar que a verdade está além do cogito, e que pode ser encontrada no transcendente, no eterno. Essa argumentação do cogito que atinge a verdade transcendente e eterna, trata-se do ponto de partida para a busca  da verdade que Agostinho procura. A filosofia agostiniana apresenta se de forma antropológica, que tem como objeto a  busca da verdade e  felicidade. Em seu diálogo “ A vida feliz”   ele defende que  a verdadeira felicidade  está em Deus;   ou seja  só é feliz  quem possui a Deus. Desta forma a busca da  verdade e felicidade e canalizada em Deus.  Através da posse da verdade o homem se torna feliz.  

 

A partir desta preposição, Agostinho que jamais duvidou da existência  de  Deus, se vê  diante  de um problema. Como encontrar a Deus? Por isso a busca de Agostinho não é encontrar  a Deus, mas como encontra-lo. Após suas investigações perturbadoras, ele entende que a verdade  para chegar a Deus  está no próprio interior do  homem. Por isso a alma é imprescindível na epistemologia de Agostinho; visto que Deus está na alma; ou seja, o caminho  para buscar a  verdade  passa pela a interioridade do homem; em que o  sujeito deve realizar uma busca sobre si mesmo.  A mente, inteligência ou razão, é o que o homem possui de mais elevado na alma, é somente neste lugar que se pode encontrar a Deus e conseqüentemente a verdade e  felicidade.

 

Através da interioridade do homem que é a passagem segura, Agostinho  chega a três conceitos de verdades;  que ele vive; existe e pensa.  Ao abordar  o conhecimento sensível e a sensação  dentro da esfera do existir,  Agostinho  enfatiza   que o conhecimento do sujeito  está na relação   do sujeito como objeto. E que não é o objeto que produz conhecimento ao sujeito; mas pelo contrário e o sujeito que através da sensibilidade dos  objetos. Desta forma  caracterizando  assim que não é o corpo sobre a alma, mas alma sobre o corpo. Dentro desta dualidade Agostinho sentencia dois tipos de luzes; uma  que é corporal relativo aos sentidos e outra que é espiritual relativo do interno. Agostinho não tem o corpo como algo negativo, pois o corpo também faz parte  da natureza humana.

 

Mas enfatiza  que o sujeito não deve deixar os sentidos externos, reinar sobre os sentidos  internos; pois os sentidos externos obstruíram o sujeito de atingir  o terceiro sentido que é a razão, que é o mais importante, pois através dela o sujeito sabe que pensa e existe.    

 

Mas a razão pura para Agostinho não é suficiente para o sujeito alcançar a verdade  eternas e transcendentes necessitando assim  da iluminação divina,  uma vez  que as verdades  eternas e imutáveis já estão na memória do homem, não por reminiscência, mas pela iluminação de Deus na mente humana. Uma vez que o conhecimento não se da apenas pela razão,  acontece uma fusão entre fé e razão. Desta relação de fé e razão surge a máxima de Agostinho  crer para  compreender e compreender para crer melhor ” .

 

Estas verdades eternas e imutáveis que já está na memória do homem, conforme citado no parágrafo acima; também faz parte da epestemolia de Agostinho. Pois o mesmo  faz menção da memória para alcançar a Deus. Uma vez que no livro X das confissões Agostinho coloca a memória como condição  de possibilidade de conhecimento; uma vez que a memória  assegura a existência  de Deus. Enquanto a razão assegura a existência do cogito; a memória assegura a existência de Deus, pois a memória segundo Agostinho é apriori. Na medida em que busca a Deus na memória o homem está em construção de um processo de interioridade, e na busca de si mesmo ele se laça no transcende.

 

Por fim a verdade por sua vez pertence unicamente a Deus; e que o homem penetrado em seu próprio interior e aprofundando em seu espírito,  pode  encontrar aspectos que lembrem a imagem divina do qual é portador. Por isso o desejo de Agostinho é de que o homem pergunte  a si mesmo para poder compreender-se. Assim a antropologia de Agostinho não se fecha em si mesmo como na antropologia de Nietzsche e Sartre; mas se abre para a transcendência. Pois o homem só se realiza, em ultima instância na transcendência e só através dela o homem pode compreender seu ser autêntico e seu verdadeiro significado.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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