TEOLOGIA DA AMÉRICA LATINA

SERGIO A. RIBEIRO “Schelling”

Teologia da América Latina trabalha com o método “Histórico/ Concreto” ou seja, a situação presente. A Teologia da América Latina não esta preocupada apenas com a pós-morte, mas também com o Agora. O livro de Êxodo retrata a libertação de Israel da servidão do Egito. Para a Teologia da América Latina o conceito de liberdade e de salvação é semelhante, pois tem um ato concreto visível, além de ser um ato Já - Agora.A salvação não é apenas um ato soteriológico metafísico e transcendental. Mas o Reino de Deus e vivido aqui na terra trazendo além de salvação uma libertação; não apenas no âmbito espiritual, mas principalmente nas estruturas da sociedade e na vida existencial do ser humano. Visto que a teologia da América Latina dá ênfase no agora, que é contrário de outras correntes teológicas sobre o discurso da teologia do celeste porvir. Em outras palavras a Teologia da América Latina descobrem que a injustiça, pobreza estrutural, na qual está mergulhada a sociedade latino-americana, é uma afronta ao amor de Deus; portanto as vivências do cristianismo exigem a transformação da sociedade.

 A GRAÇA: PRINCIPALMENTE PARA OS POBRES E EXCLUIDOS

A Teologia da América Latina implica que a egoísmo das riquezas e a má distribuição de renda conseqüência de um capitalismo selvagem são representante anti-reino de Deus. Esta concepção vem do sistema econômico “Capitalismo”, visto que neste sistema o lucro é resultado da exploração neste caso quem sofre mais são os menores que conseqüentemente são pobres. O pobre não implica unicamente com aquele que vive abeira ou na miséria; não é unicamente reducionista em relação ao pobre no conceito financeiro, mas o pobre pode ser representado pela mulher que devido sua sexualidade é inferior e por isso ganha menos. O pobre é o negro que sofre com o fantasma do racismo e com a falta de estudo; o pobre são os injustiçados por um sistema político e econômico opressor, o pobre e aquele que deve optar entre estudar ou trabalhar e etc. Ou seja, pobre é todo aquele que sofre um tipo de opressão e de injustiça principalmente à injustiça social.A consciência de que a pobreza estrutural é o principal problema a ser enfrentado permitiu estabelecer a interface entre as exigências religiosas, os desafios econômicos e os obstáculos políticos.

Enquanto a teologia como reflexão sobre Deus, a Teologia da América Latina aceitou o desafio de revelar este mesmo Deus a partir do lugar social do pobre, o que não significa de forma alguma uma santificação romântica deste último, nem muita menos uma resignação frente à pobreza na qual vivem grandes segmentos da população brasileira.Por outro lado, ao se perceber que a pobreza é um problema estrutural, também percebeu que sem transformações econômicas e políticas; não haverá superação da pobreza e conseqüentemente um discurso sério sobre Deus. A graça na Teologia da América Latina tem como alvo os pobres, os seja, os injustiçados os oprimidos. Também há lugar para os ricos desde que estes vivam suas riquezas dentro de um principio de co-participação com os pobres e não para viverem dentro de sua avareza que é fruto de um capitalismos subjetivos alimentado pelo o individualismo da pós-modernidade.

3. A DIMENSÃO INTERPESSOAL E RELACIONAL DA GRAÇA

As Teologias Norte Americanas, Européias e outras; vive uma graça apenas para si, ou seja, cada uma vive a sua graça. Na Teologia Latina Americana a Graça e para ser vivida, experimentada e materializada no ato do relacionamento com o próximo. A graça se manifesta entre o EU é o TU como principio fundamental de uma graça relacional. “Busquei a Deus e não achei; busquei a mim mesmo e não encontrei; mas quando busquei meu próximo encontrei nos três” Paull Tillich.

4. DIMENSÃO HISTÓRICA E PRAXIS

De um lado existem correntes teológicas que são teóricas e muito sistemáticas. Ao contrário da teologia da América Latina que ao trabalhar com a graça, com a soteriologia, com a eclesilogia, cristologia, e principalmente como Reino de Deus, entendeu que a mesma precisa desligar um pouco da teologia apenas como escritas e teóricas e materializar esta teologia teórica na prática. As teologias que surgiram no cenário brasileiro após a década de 60, como Teologia Negra; Teologia Indígena; Teologia Ecológica; Teologia Feminina, não são heranças teológicas e sistemáticas dos Calvinistas, Arminiana, Liberal; e muito menos da Teologia Fundamentalista, mas são conseqüências da Teologia da América Latina pois a mesma ao trabalhar com a teologia focalizou a prática e a existência humana visando assim á manifestação concreta do Reino de Deus.

A teologia contemporânea tem tentado falar da teologia dentro da perspectiva existencial. Existe um amadurecimento da teologia neste assunto. Mas ainda há muitos se colocando como donos da verdade, determinando conceitos e valores totalmente fundamentalistas, descontextualizados e irrelevantes para a igreja e para a sociedade. Mas também há muitos os quais crêem que a teologia é uma ciência que esta sempre em construção; e que a igreja não deve ter apenas ideologias, mas deve ter também “dialética”; estar aberta para o diálogo, visto que ideologias sem dialética, levam a guerra. A Teologia da América Latina mesmo que ainda ausente em alguns espaços, sem uma radical e atualizada volta à opção preferencial pelos pobres, oprimidos e injustiçados entrará para história como um movimento marginal “que adormece esperando que as cinzas que escondem as brasas sejam assopradas”. “ VIVA A TEOLOGIA DA AMERICA LATINA “

 

 

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